A saúde bucal ruim afeta a função cerebral?

O estresse percebido pode afetar negativamente a saúde bucal, o que, por sua vez, pode levar ao declínio cognitivo entre comunidades idosas específicas, de acordo com dois novos estudos.

homem sênior no dentista

Uma nova pesquisa encontra conexões entre a saúde bucal em idosos e a função cognitiva.

A saúde bucal pode ser um indicador surpreendentemente bom do bem-estar de uma pessoa. As doenças bucais não só podem reduzir a qualidade de vida de uma pessoa , mas também podem aumentar o risco de outras condições graves.

Os pesquisadores associaram a doença gengival e a perda dentária à ocorrência de acidente vascular cerebral . Um artigo publicado no Journal of Indian Society of Periodontology em 2010 concluiu que a doença gengival pode aumentar o risco de uma doença cardíaca em cerca de 20%. É, no entanto, necessário realizar mais pesquisas nessas áreas.

As equipes da Universidade Rutgers, em New Brunswick, NJ, agora se concentram em um vínculo diferente – aquele entre saúde bucal e declínio cognitivo.

Uma revisão publicada recentemente de 23 estudos encontrou evidências de uma relação entre saúde bucal e aspectos cognitivos, como memória e função executiva.

Agora, uma equipe da Universidade Rutgers realizou dois estudos separados sobre declínio cognitivo e estresse percebido . Ambos os trabalhos aparecem no Journal of the American Geriatrics Society.

O foco chinês-americano

Os estudos se concentraram em adultos chineses americanos com idade mínima de 60 anos. “Minorias raciais e étnicas são particularmente vulneráveis ​​às consequências negativas da saúde bucal ruim”, explica XinQi Dong, diretor do Instituto de Saúde, Política de Saúde e Envelhecimento da Universidade Rutgers University Pesquisa.

Ele continua: “As minorias têm menos acesso a atendimento odontológico preventivo, agravado ainda mais por barreiras linguísticas e baixo status socioeconômico. Os chineses americanos mais velhos correm um risco particular de apresentar sintomas de saúde bucal devido à falta de seguro odontológico ou à falta de visitas regulares a uma clínica odontológica. “

Os participantes de ambos os estudos vieram do Estudo de População de Idosos Chineses em Chicago (PINE). O primeiro estudo questionou as pessoas sobre sua saúde bucal e deu a elas cinco testes cognitivos para concluir.

segundo estudo perguntou aos participantes se eles já haviam experimentado problemas de boca seca . Os pesquisadores então pediram que medissem seu estresse percebido, suporte social e níveis de tensão social usando escalas predefinidas.

O apoio social referia-se à frequência com que eles se sentiam capazes de se abrir ou confiar em familiares ou amigos. Os pesquisadores definiram tensão social como a frequência com que os participantes experimentavam demandas ou críticas excessivas de amigos ou parentes.

Um vínculo cognitivo

Dos mais de 2.700 chineses americanos entrevistados, quase metade relatou sintomas relacionados aos dentes. Pouco mais de um quarto disse ter experimentado boca seca.

Não houve relação significativa entre a gengiva e problemas cognitivos. No entanto, os pesquisadores acreditam que os participantes podem ter menos probabilidade de relatar sintomas gengivais devido a considerá-los menos problemáticos.Uma cavidade pode causar um gosto ruim na boca?Um gosto ruim na boca é geralmente normal. Descubra quando consultar um médico.LEIA AGORA

Os pesquisadores encontraram uma ligação entre o declínio cognitivo – especificamente a cognição global e o declínio episódico da memória – e os sintomas dos dentes. Problemas de memória episódica têm um link para o início da demência .

Os pesquisadores encontraram uma associação semelhante no segundo estudo. Aqueles que relataram mais estresse percebido eram mais propensos a relatar boca seca. O apoio social ou a tensão social do cônjuge não reduziram esse relacionamento, mas o apoio dos amigos parecia proteger de alguma forma a boca seca.

“No entanto, a sobrecarga potencial de tal apoio pode ser prejudicial aos resultados de saúde bucal entre os chineses americanos mais velhos”, observa o autor do estudo, Weiyu Mao, professor assistente da Escola de Serviço Social da Universidade de Nevada.

Saúde bucal é fundamental

Qualquer conclusão formada a partir de dados auto-relatados tem suas limitações. No entanto, a equipe acredita que suas descobertas apontam para a necessidade de uma melhor conscientização sobre a saúde dos imigrantes e as influências psicossociais na referida saúde.

Dong diz que “demonstram a importância de examinar os resultados de saúde bucal dos imigrantes mais tarde na vida para entender o tipo específico de resultados de diferentes grupos culturais”.

“Os estudos servem ainda como um plano de ação para os formuladores de políticas desenvolverem programas destinados a melhorar os serviços de atendimento odontológico e preventivo de saúde bucal nessa população de alto risco”.

XinQi Dong

Garantir a boa saúde bucal dos chineses americanos mais velhos deve ser um objetivo principal, de acordo com a equipe.

Mao observa que “as estratégias de intervenção precisam se expandir além dos fatores de risco comuns, como condições e comportamentos de saúde, e levar em consideração os determinantes psicossociais, incluindo estresse e apoio social”. Esforços inclusivos como esses podem até ajudar a reduzir o declínio cognitivo.

Por Lauren Sharkey

Fato verificado por Paula Field

Fonte https://www.medicalnewstoday.com/articles/326339.php?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_country=BR&utm_hcp=no&apid=&utm_campaign=MNT%20Weekly%20News%202019-09-18&utm_term=MNT%20Weekly%20News

Atividade social a partir dos 60 anos pode reduzir o risco de demência em 12%

De Ana Sandoiu

Fato verificado por Gianna D’Emilio

Novas pesquisas ao longo de um período de acompanhamento de 28 anos encontram evidências significativas de que o contato social freqüente com a idade de 60 anos pode reduzir o risco de desenvolver demência mais tarde.

Passar tempo com os amigos poderia evitar a demência daqueles com 60 anos ou mais.

A ligação entre ter uma vida social rica e saúde cerebral recebeu muita atenção na comunidade científica.
Alguns estudos sugeriram que os níveis de interação social podem predizer o declínio cognitivo e até mesmo a demência , enquanto outros mostraram que a socialização em grupo pode prevenir os efeitos prejudiciais do envelhecimento na memória .

Nova pesquisa examina a ligação entre contato social e demência com mais profundidade. Andrew Sommerlad, Ph.D., da Divisão de Psiquiatria da University College London (UCL), no Reino Unido, é o primeiro e correspondente autor do novo estudo.

Sommerlad e colegas partiram de uma observação crítica dos estudos existentes. Eles dizem que inúmeras descobertas sugeriram que o contato social freqüente pode proteger o cérebro, seja ajudando a construir uma “reserva cognitiva ” ou reduzindo oestresse e promovendo comportamentos mais saudáveis.

Muitos estudos longitudinais descobriram um risco aumentado de demência e declínio cognitivo em pessoas com uma rede social menor ou contato social menos frequente. No entanto, observam os autores, a maioria desses estudos teve um período de acompanhamento de menos de 4 anos.

Além disso, muitos desses achados observacionais podem ser influenciados pela causalidade reversa, o que significa que o isolamento social pode ser um efeito, e não uma causa de demência.
Diante do exposto, Sommerlad e seus colegas decidiram investigar a ligação entre demência e contato social por um período muito mais longo – 28 anos.Os resultados aparecem na revista PLOS Medicine.

Estudando atividade social e demência

Sommerlad e a equipe realizaram uma análise retrospectiva de um estudo de coorte prospectivo chamado Whitehall II.
Whitehall II incluiu 10.308 participantes com 35 a 55 anos de idade no início do estudo, em 1985-1988.

Os participantes foram acompanhados clinicamente até 2017. Durante esse período, 10.228 dos participantes relataram seis vezes o contato social, por meio de um questionário que questionava as relações com parentes e amigos que moravam fora do domicílio.

O estado cognitivo dos participantes foi avaliado cinco vezes, usando “testes de memória verbal, fluência verbal e raciocínio”.
Para determinar a ocorrência de demência, os pesquisadores analisaram três bancos de dados clínicos e de mortalidade.
Eles aplicaram modelos de regressão de Cox com probabilidade inversa e ajustaram as análises para “idade, sexo, etnia, status socioeconômico, educação, comportamentos de saúde, situação empregatícia e estado civil”.

Amigos podem diminuir o risco de demência em 12%

O estudo constatou que o contato social mais frequente aos 60 anos com amigos, mas não com parentes, correlacionou-se com menor risco de demência.

Especificamente, uma pessoa que via amigos quase todos os dias aos 60 anos tinha um risco 12% menor de desenvolver demência mais tarde, em comparação com alguém que só via um ou dois amigos uma vez a cada poucos meses.

“Descobrimos que o contato social na meia-idade e no final da vida parece diminuir o risco de demência. Essa descoberta pode alimentar estratégias para reduzir o risco de todos de desenvolver demência, acrescentando mais um motivo para promover comunidades conectadas e encontrar formas para reduzir o isolamento e solidão “.
Andrew Sommerlad, Ph.D.

A autora do estudo, Gill Livingston, professora do departamento de psiquiatria da UCL, também analisa os resultados. Embora a análise tenha sido observacional, ela apresenta algumas possíveis explicações para os mecanismos subjacentes aos achados.

“As pessoas que são socialmente engajadas estão exercitando habilidades cognitivas, como memória e linguagem, que podem ajudá-las a desenvolver reservas cognitivas – enquanto isso não impede que seus cérebros mudem, a reserva cognitiva poderia ajudar as pessoas a lidar melhor com os efeitos da idade e atraso qualquer sintoma de demência “, diz o Prof. Livingston.

Em grandes traços , o conceito dereserva cognitiva refere-se a flexibilidade e capacidade de utilizar os recursos de novas maneiras para resolver novos problemas e desafios do cérebro. Coisas como educação e descoberta de novas informações podem ajudar a construir uma reserva cognitiva.
Além disso, o Prof. Livingston acrescenta: “Gastar mais tempo com os amigos também pode ser bom para o bem-estar mental e pode correlacionar-se com a atividade física, ambos os quais também podem reduzir o risco de desenvolver demência

A chave para saúde do idoso está na prevenção e no autocuidado

(Foto: Sérgio Bernardo/Divulgação)

O Ministério da Saúde lançou em 2018 um extenso estudo documento  com a  finalidade de descrever o perfil da morbimortalidade masculina, fazendo um comparativo com as mulheres, a partir do sistema de informações de dados do Sistema Único de Saúde, o DATASUS. Fatores culturais, comportamentais  e educacionais demonstram que a soma  do descuido pessoal do homem  e certa omissão das autoridades de saúde no país e na iniciativa privada  motivam um ciclo de descaso que tem início na juventude e se perpetua na velhice.

A morbimortalidade consiste na relação entre a morbilidade e a mortalidade, e leva em consideração  o número de indivíduos que morreram em consequência de uma enfermidade, em relação ao número de habitantes de dado lugar e período de tempo. O estudo coletou dados de 2009 e 2015 entre homens de 20 a 59 anos, comparados com as mulheres da mesma faixa etária, de todo o país. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer, em 2019, é de 80 anos para mulheres e de 73 anos para homens.

O estudo conclui que em relação às mulheres, a morte por causas externas é 3,3 vezes maior entre os homens,  2,6 vezes por transtornos mentais e comportamentais e 1,5 vezes por doenças do aparelho digestivo. “ Esses dados mais uma vez reforçam as diferenças de gênero: homens se envolvem mais em situações de acidentes e violências, levando à morte prematura (causas externas), de modo que não têm como adoecer e morrer de outras causas, como as mulheres. Destacam-se também as mortes por transtornos mentais e comportamentais e por doenças do aparelho digestivo, provavelmente associadas com comportamentos de risco, como uso de drogas, consumo de bebidas alcoólicas e de alimentos ricos em gorduras, entre outros fatores.”

Porém, o estudo aponta dados mais estarrecedores se levarmos em conta os cuidados com a própria saúde. Ao se comparar as consultas médicas em relação às mulheres observou-se que o sexo feminino, no período de 2009 e 2015, fez mais de 235 milhões de consultas contra apenas 3,3 milhões dos homens, ou seja, 71 vezes maior.

“Surpreendentemente, a concentração de consultas entre os homens cai ligeiramente com o aumento da idade, enquanto o inverso acontece com as mulheres, cuja concentração aumenta de duas para 8,4 consultas, respectivamente na faixa etária de 20 a 29 anos e de 50 a 59 anos de idade, o que chega a 168 vezes mais do que os homens dessa mesma faixa de idade. Essa situação – descaso com a própria saúde – leva os homens a procurarem os serviços de saúde primordialmente em casos extremos.”

No que se refere às internações por causas externas, observa-se que os homens têm mais internações proporcionalmente por quedas (34,3% versus 20,0% para as mulheres) e acidentes de transporte (21,6 versus 4,0%), enquanto as mulheres sofrem mais internações por agressões (11,0% versus 6,8% para os homens) e lesões autoprovocadas (3,0 versus 0,9%).

“Fica evidente a diferença de comportamentos entre os sexos. Os homens têm mais fatores comportamentais de risco (excesso de peso, tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, baixo consumo de frutas, legumes e verduras, consumo de carnes com excesso de gorduras, consumo de refrigerantes, não uso de proteção contra radiação ultravioleta) do que as mulheres (atividade física insuficiente, baixo consumo de feijão), o que determinará maior morbidade por doenças crônicas e, consequente, mortalidade, caso não morra precocemente.”

Os pesquisadores reforçam que as “as diferenças nos padrões de comportamento de risco/proteção entre homens e mulheres sustentam a necessidade de planejamento e desenvolvimento de estratégias de educação em saúde, voltadas para os homens, além de reforçar a necessidade de sensibilização deles para o entendimento da sua própria fragilidade e responsabilidade com sua saúde”.

Para tanto recomendam que os profissionais da área da saúde orientem  os homens:

 -Para evitar bebidas alcoólicas e o cigarro;

-manter uma alimentação adequada e saudável;

 -praticar exercícios físicos com regularidade;

-utilizar preservativo nas relações sexuais;

-realizar exames de rotina periodicamente;

– ir ao cirurgião-dentista com frequência;

-manter a carteira de vacina atualizada;

-conversar sobre problemas e preocupações com a(o) parceira(o), familiares e amigos;

-pedir ajuda quando se sentirem sobrecarregado por alguma situação de estresse e também procurar os serviços de saúde não apenas quando estiverem com uma doença, mas para se prevenir e promover saúde.

 “Assim, os serviços de saúde precisam desenvolver as diretrizes de universalidade, integralidade, equidade, preservando a autonomia das pessoas, mas garantindo o acesso à informação e o direito de uso do serviço, com olhar diferenciado para a saúde da população masculina”.

A onda do aplicativo que “envelhece” mostra preconceito sutil contra pessoa idosa

O aplicativo Faceapp pretende mostrar como será a imagem do usuário envelhecido

 A febre do aplicativo Faceapp que “envelhece” o usuário e contaminou milhões de pessoas pelo país e mundo, inclusive artistas e famosos, é um exemplo de como o envelhecimento ainda é um tabu difícil de ser lidado. A maioria das notícias e posts na internet trataram o assunto como algo divertido e curioso, nada além disso. No entanto, o que podemos ler nas entrelinhas é o sentimento resignado de que não há nada de bom na velhice, que faz  coro ao preconceito contra a pessoa idosa.

Outro ponto é que em nenhum momento, as mídias tradicionais e de internet informaram que o Brasil vem tendo um processo avançado de envelhecimento da sua população. E que essa situação, segundo os especialistas, demanda a criação de políticas públicas e serviços privados de qualidade para atender a demanda.  A população brasileira com 65 anos de idade ou mais cresceu 26% entre 2012 e 2018, ao passo que a de até 13 anos recuou de 6%, segundo o IBGE.

A onda do aplicativo, amplamente divulgado, se insere na necessidade de observarmos a  importância dos meios de comunicação na construção das identidades culturais dos mais velhos e nas variadas formas de lidar com a velhice, tanto por parte dos idosos, quanto por suas famílias e outras instâncias da sociedade.

A própria Organização das Nações Unidas, em 2002, evidenciou a importância de os meios de comunicação  apostarem em uma imagem positiva do envelhecimento. E recomendou uma série de sugestões para atenuar o preconceito contra a pessoa idosa:

a) Elaborar e promover amplamente um marco normativo onde haja responsabilidade individual e coletiva de reconhecer as contribuições passadas e presentes dos idosos, procurando resistir a mitos e idéias pré-concebidas e, consequentemente, trataros idosos com respeito e gratidão, dignidade e consideração;

b) estimular os meios de comunicação de massa a promover imagens em que se destaquem a sabedoria, os pontos fortes, as contribuições, o valor e a criatividade de mulheres e homens idosos, inclusive de idosos com incapacidades;

c) estimular os educadores a que reconheçam e incorporem em seus cursos as contribuições feitas por pessoas de todas as idades, inclusive as idosas;

d) estimular os meios de comunicação a transcender a apresentação de estereótipos e ilustrar a diversidade plena da humanidade;

e) reconhecer que os meios de comunicação são precursores da mudança e podem atuar como fatores de orientação na promoção do papel que toca aos idosos.

f) facilitar as contribuições de mulheres e homens idosos na apresentação de suas atividades e preocupações por parte dos meios de comunicação;

g) estimular aos meios de comunicação e os setores público e privado a evitar a discriminação por razões de idade no emprego e apresentar imagens positivas de pessoas idosas;

h) promover uma imagem positiva das contribuições das mulheres idosas a fim de aumentar sua auto-estima.

Mulheres são alvos preferenciais dos estereótipos negativos contra a velhice nas mídias

Imagem: Kevin Mazur/Getty Images

É irônico e ao mesmo tempo triste constatar que duas das mais conhecidas mulheres no Brasil e no mundo, alavancadas pelos meios e pelas mídias sociais estão sofrendo ataques e preconceitos por conta do envelhecimento.

No início de julho, a apresentadora Xuxa fez um desabafo emocional.  “Com as mídias vejo que as pessoas estão amargas e bastante desrespeitosas. Quando eu apareço sem maquiagem, falam: ‘nossa, como você está velha! E esse cabelo? Não vai ter mais jeito, não vai deixar crescer?’ São umas coisas absurdas. Eu fico imaginando elas escrevendo do outro lado, colocando todo ódio delas em cima de uma coisa que está me fazendo muito bem”

Já a cantora Madonna, que completou 60 anos, foi mais contundente quanto às críticas que vêm sofrendo “Envelhecer quase parece um crime. Você não tem como vencer”. Uma das questões, porém, a se levantar quanto às reclamações das duas celebridades é porque elas não se preocuparam com a situação antes da vinda da velhice.

Segundo a psicóloga Gisela G. S. Castro “ o desrespeito ao idoso pode ser constatado ainda em certas produções midiáticas onde sua imagem é acionada na tênue fronteira entre o humor e o escárnio. Não é incomum que o humor autodepreciativo revele o preconceito do idadismo entre os próprios idosos, que não estão imunes às mesmas pressões sociais que constituem significados negativos em relação à velhice. Quando todos são instados a querer ser e parecer jovens, o envelhecimento se torna um problema e seus sinais passam a ser encarados como inconvenientes. São abundantes os reality shows de transformação da imagem pessoal que promovem a pedagogia social do rejuvenescimento. Tampouco é infrequente nas cintilantes imagens digitais de celebridades, intervenções estéticas que desafiam a prudência e o bom senso.”

Será preciso mais do que um tratamento melhor sobre idoso nas mídias

Estudo recente publicado na Revista Americana de Saúde Pública ( AJPH ), sobre o preconceito contra os idosos demonstrou que além da cobrança por uma cobertura menos negativa pelas mídias, será necessária um trabalho que combine elementos de educação e contato intergeracional,   e conscientização dos profissionais de saúde que são também fonte da imprensa e da opinião pública.

“ Intervenções que combinavam elementos de educação e contato intergeracional tiveram o maior efeito sobre as atitudes das pessoas em relação aos adultos mais velhos. Além disso, as intervenções tiveram um efeito mais forte sobre as faixas etárias das mulheres, bem como adolescentes e adultos jovens. Este estudo sugere que intervenções viáveis, relativamente de baixo custo, devem ser adotadas como parte de uma estratégia internacional para reduzir o preconceito de idade.” Sugerem os especialistas.

O estudo demonstrou ainda “ que as atitudes negativas em relação ao envelhecimento representam um risco significativo para a saúde e bem-estar nos últimos anos.  A adoção de atitudes negativas generalizadas em relação ao envelhecimento contribui para o risco de mortalidade, saúde funcional precária e recuperação mais lenta da doença. Manter percepções negativas sobre o envelhecimento também prediz a saúde mental deficiente. “  

Outra constatação foi de que “ o envelhecimento dos profissionais de saúde também pode resultar em práticas discriminatórias que colocam as pessoas idosas em risco. Estudos têm encontrado atitudes negativas generalizadas em relação a idosos e velhice entre médicos, estudantes de medicina e enfermeiros. .. Assim, o estereótipo de idade e o preconceito entre os profissionais de saúde podem afetar a qualidade e a quantidade de atendimento que os idosos recebem e, por sua vez, levam a resultados negativos na saúde.” 

Cuidador informal de idosos, uma realidade que o país se nega a enfrentar.

Países como Uruguai e Portugal já têm políticas nacionais de cuidadores de idosos informais. Uma realidade que o Brasil ainda está longe de alcançar.

O Projeto de Lei que regulamentava a profissão de cuidador de idoso foi vetado integralmente pelo Executivo. Foi um duro golpe para o setor que carece de regras sobre a formação mínima dosm profissionais. Porém, a inciativa, por exemplo, não trata da realidade do cuidador informal, que compõem a maior parte desta categoria, e é exercido em sua maioria por familiares e parentes.

Segundo o texto vetado, os requisitos para exercer a profissão de cuidador formal seriam: ensino fundamental completo e curso de qualificação na área (com carga horária de 160 horas, ao menos), idade mínima de 18 anos, não ter antecedentes criminais (que devem ser provados por certidão emitida no site da Polícia Federal), e atestados de aptidão física e mental. O veto ainda será apreciado em sessão conjunta do Congresso Nacional. Para derrubar um veto, são necessários os votos de pelo menos 257 deputados e 41 senadores.

O mercado de cuidador, principalmente de idosos, teve início a partir de  2007. Segundo  o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, daquele ano até 2017 houve  um  aumento  impressionante de  547%,  na procura desses profissionais que hoje é a categoria que  mais cresce no país.

O universo do cuidador informal, exercido por conhecido, empregada doméstica, amigo, vizinho e principalmente por parentes e familiares, é em sua maioria constituído por mulheres. Essa realidade que compõem o maior número de cuidadores de idosos já vem sendo tratada como política pública tanto no Uruguai quanto em Portugal, por exemplo, mas é praticamente ignorada no Brasil.

Uma pesquisa da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA mostrou que 63% dos cuidadores morrem até quatro anos antes do que as pessoas que eles estão cuidando. O Brasil tem cada vez mais idosos – já são mais de 18 milhões. Como cuidar de quem cuida dos idosos?

Em estudo apresentado em 2015 por Flávia de Araújo e Maria Janine Fernandes, 85% dos cuidadores de idosos são mulheres, entre elas, 95% são cuidadoras informais, ou seja, não são remuneradas (família, vizinhos, amigos) ou registradas pelo trabalho que fazem. Por se tratar de uma ocupação basicamente informal, as políticas públicas de atenção e de formação para a categoria de cuidadores de idosos é quase inexistente.

“Importante ressaltar que o cuidador informal geralmente acaba ficando mais tempo cuidando do idoso, por residir no mesmo local, gerando um excesso de atividades, uma sobrecarga”. Outra questão importante é que pelo fato do idoso ser da família, o cuidador pode sofrer por se deparar com a dependência e a situação deste idoso.

Além disso, o cuidador familiar, muitas vezes não tem escolha e sente-se na obrigação de cuidar, como também, podem existir as dificuldades financeiras que precisam ser enfrentadas devido aos gastos com o idoso.

Portanto, as preocupações destes cuidadores acabam sendo maiores do que dos cuidadores formais que cuidam para receber um salário e geralmente se deslocam para suas casas no final de seu “expediente”.”

Cuidados com a pessoa idosa serão cada vez mais necessários no Brasil

O número de brasileiros idosos de 60 anos e mais era de 2,6 milhões em 1950, passou para 29,9 milhões em 2020 e deve alcançar 72,4 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 27,6 vezes. Em termos relativos a população idosa de 60 anos e mais representava 4,9% do total de habitantes de 1950, passou para 14% em 2020 e deve atingir o impressionante percentual de 40,1% em 2100 (um aumento de 8,2 vezes no peso relativo entre 1950 e 2100).

O número de brasileiros idosos de 65 anos e mais era de somente 1,6 milhões em 1950, passou para 9,2 milhões em 2020 e deve alcançar 61,5 milhões em 2100. O crescimento absoluto está estimado em 38,3 vezes. Em termos relativos, a população idosa de 65 anos e mais representava 3% do total de habitantes de 1950, passou para 9,6% em 2020 e deve atingir mais de um terço (34,6%) em 2100 (um aumento de 11,5 vezes no percentual de 1950 para 2100).

O número de brasileiros idosos de 80 anos e mais era de 153 mil em 1950, passou para 4,2 milhões em 2020 e deve alcançar 28,2 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de espetaculares 184,8 vezes em 150 anos. Em termos relativos, a população idosa de 80 anos e mais representava somente 0,3% do total de habitantes de 1950, passou para 2% em 2020 e deve atingir 15,6% em 2100 (um aumento de impressionantes 55,2 vezes no percentual de 1950 para 2100).

Como Uruguai trata os cuidadores

No Uruguai foi implantado o Sistema Nacional Integrado de Cuidados, através da  Lei 19.353 – aprovada em 18 de novembro e promulgada em 27 de novembro de 2015 –  priorizando todas as crianças, pessoas com deficiência e idosos em situação de dependência.

O objetivo é gerar um modelo corresponsável de cuidado, entre as famílias, o Estado, a comunidade e o mercado, com  a responsabilidade compartilhada do cuidado entre homens e mulheres, visando superar a sobrecarga de trabalho nas mulheres. 

O SNC pretende trabalhar com pessoas que estão atualmente encarregadas de tarefas de cuidados dentro de casas ou instituições, sejam elas pagas ou não. Ambas as tarefas remuneras como não pagos são altamente feminizado: mais de 95% das pessoas identificadas como cuidadores / como paga / as são mulheres e as mulheres desempenham mais de horas duas vezes semanais de trabalho não remunerado dentro das famílias.

O cuidado é tanto um direito quanto uma função social e envolve a promoção da autonomia pessoal, cuidado e assistência às pessoas em situação de dependência. Constitui o conjunto de ações que a sociedade realiza para garantir o desenvolvimento integral e o bem-estar diário daqueles que se encontram nessa situação e necessitam da ajuda de outros para realizar atividades da vida cotidiana.

Todas as pessoas, em algum momento, durante todo o seu ciclo de vida, tiveram ou terão a necessidade de cuidar dos outros. Isso pode ocorrer na infância, em algum estágio da velhice, ou no caso de uma pessoa estar em situação de dependência devido a algum tipo de deficiência.

PORQUE UM SISTEMA DE CUIDADOS no Uruguai

Por causa de uma questão de gênero.

No Uruguai, 95% das pessoas que trabalham no atendimento são mulheres. O Sistema de Atendimento busca regular e valorizar seu trabalho, além de apostar na corresponsabilidade entre homens e mulheres no cuidado aos dependentes.

Para metade das mulheres latino-americanas, o cuidado é a principal razão pela qual elas não procuram trabalho.

Inquéritos realizados em domicílios latino-americanos mostram que 43,4% das mulheres entre 20 e 59 anos identificam motivos familiares (gravidez, cuidado de filhos ou dependentes, trabalho doméstico ou proibição por membros da família) como razão principal para não procurar ativamente ou realizar trabalho remunerado (CEPAL, 2017c).

Da mesma forma, a taxa de emprego feminino crescente, embora ainda insuficiente, não trouxe nenhuma mudança substancial na divisão dos papéis familiares. Portanto, as mulheres agora têm até dias duplos ou triplos de trabalho.

Uma segunda consideração tem a ver com o processo demográfico de envelhecimento da população e o consequente aumento na proporção de pessoas em situação de dependência, ao contrário de um menor número de pessoas com tempo disponível para realizar as tarefas de cuidado.

Por uma questão de sustentabilidade social.

O terceiro argumento está ligado às bases para o desenvolvimento econômico de longo prazo de nossa sociedade. Um Sistema de Cuidados consolidado é uma condição de sustentabilidade social para o processo de desenvolvimento, a fim de manter uma dinâmica de crescimento econômico com distribuição de riqueza no longo prazo.

Além disso, pelas razões mencionadas acima, nos últimos anos, o cuidado começou a deixar a órbita exclusivamente familiar, surgindo uma variedade de prestadores de serviços privados, cuja natureza jurídica, forma de financiamento e, especialmente, a qualidade do serviço também é diversificada. Isso exige e justifica a intervenção do Estado, a fim de garantir transparência, qualidade e igualdade de acesso.

Como é em Portugal

Portugal aprovou no dia 5 de julho de 2019, o Estatuto do Cuidador Informal  em que fica definido, entre outras medidas, um subsídio de apoio aos cuidadores, o descanso destas pessoas, além de medidas especificas relativamente à carreira contributiva dos cuidadores. Portugal é um dos países da União Europeia com maior envelhecimento demográfico, enfrentando um cenário de duplo envelhecimento devido à diminuição da população jovem e ao aumento da população idosa.

Em Portugal, existem mais de 800 mil cuidadores informais que tratam, diariamente, de entre 230 a 240 mil pessoas cuidadas em situação de dependência. Entre outras medidas, ficou definido um subsídio de apoio aos cuidadores, o descanso e como será traçada a carreira contributiva dos mesmos. Também houve a inclusão do Estatuto do Cuidador Estudante: para os cuidadores mais jovens que tratam de familiares e não têm emprego possam continuar o seu percurso escolar, ou seja, como se tivessem um contrato de trabalho para efeitos de exames e faltas.

Em 2019, o salário mínimo em Portugal é de 600€,  Salário médio cuidador de idoso 1257 € por mês, já  aposentadoria varia entre 263 a 380 euros, ou seja, os idosos necessitam de auxílio de um cuidador informal, já que boa parte não tem condições de arcar financeiramente um auxilio profissional.

  Na Europa, existe  125 milhões de pessoas que prestam cuidados informais, sendo o valor estimado anual dos serviços prestados pelos cuidados familiares da ordem dos 300 bilhões de euros. Em Portugal, estima-se que esse valor possa rondar os 4 bilhões de euros em cada ano. Este trabalho, essencialmente feminino, não é reconhecido formalmente e não é remunerado.

Atualmente, na Europa, 80% destes cuidados são prestados por cuidadores informais (destes, 90% são familiares da pessoa com dependência). Seguramente, o número de cuidadores informais irá aumentar nas próximas décadas, atento o progressivo envelhecimento da população. Segundo dados do INE, o índice de envelhecimento em Portugal, que em 1961 era de 27,5%, atingia em 2016 o valor de 148,7%, com tendência para aumentar.

Além de Portuga, em  muitos países (França, Reino Unido,  Alemanha,  Irlanda ou da Suécia) já existe um Estatuto do Cuidador  e em oureoa, há um conjunto de enquadramentos e apoios para os cidadãos que prestam cuidados não profissionais a pessoas dependentes.

Em vários desses países as medidas de apoio a quem é dependente e a quem cuida informalmente de quem é dependente podem ir de um subsídio por assistência à existência de uma rede densa de cuidados formais que aliviam a sobrecarga das famílias (e das mulheres em particular), de licenças para cuidados e assistência a familiares dependentes à majoração das carreiras contributivas em função da prestação de cuidados, da garantia de estruturas de apoio aos cuidados domiciliários.

No Brasil, um processo que tem muito a evoluir

O Brasil tem garantido uma série de  proteção legal e constitucional aos idosos que determina que  a responsabilidade de amparar os mais velhos é da família, da sociedade e do Estado. Depois da Constituição de 1988, a população idosa voltou a ser amparada legalmente pela Política Nacional do Idoso (Lei 8842/1994). E em primeiro de outubro de 2003  entrou em vigor o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), que detalhou os direitos desta população para acesso à saúde, transporte, moradia, cuidado, segurança, entre outros

Porém, com relação ao cuidador informal não há um capítulo específico. Esse tema estava no âmbito da seguridade social, através de  um acréscimo de 25% da aposentadoria para quem comprovadamente necessitasse de ajuda de cuidadores para um envelhecimento mais digno. Porém, esse benefício atingia somente os aposentados por invalidez. Em agosto do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ)  permitiu  a extensão do   adicional de 25% também para os aposentados por idade ou tempo de contribuição.

No entanto, este ano a  Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu  suspender as ações que pedem na Justiça o adicional de 25% na aposentadoria por idade ou tempo de contribuição que precisam de cuidadores. A determinação vale até que o STF julgue definitivamente a questão, decidindo se a extensão do adicional é ou não constitucional.

A Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara Federal,  aprovou uma proposta que garante adicional para aposentados pelo INSS que precisem de ajuda permanente de terceiros. O percentual seria de 25% para quem recebe acima de mil reais, e de 30% para quem recebe benefício abaixo desse valor. Já a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa aprovou um projeto que autoriza deduzir do Imposto de Renda as despesas com cuidadores.

Especialistas afirmam que o reconhecimento dos cuidadores informais necessita de outras iniciativas que garantam seu bem estar e da pessoa idosas que recebe o atendimento.” É importante a capacitação adequada de cuidadoras formais e informais para o tratamento específico e responsável, com técnicas para levantar a pessoa idosa da cama, dar banho, por exemplo, de modo a reduzir os danos físicos que essas ações podem causar. Além disso, o oferecimento de grupos de apoio psicológico pode ser uma importante ferramenta de compartilhamento e identificação com o outro, de modo a ser possível, para a cuidadora, falar sobre angústias, dúvidas e emoções decorrentes do trabalho, além de ser um espaço importante de socialização entre essas cuidadoras que muitas vezes encaram o trabalho em ambiente solitário.”

“Em questão financeira, é essencial que as cuidadoras informais possam ter acesso a benefícios financeiros que forem necessários para arcar com as despesas de casa e da família, já que diversas vezes têm que abandonar seus empregos e sua fonte de renda. Por último, seria essencial que o Estado criasse equipamentos de acolhimento e de atividades mais numerosos e acessíveis para idosos como centros-dia, de modo que, passando parte do tempo nesses locais, a cuidadora possa utilizar esse tempo para o cuidado de si. Assim, garante-se uma melhor assistência a essa categoria e também à pessoa idosa cuidada, favorecendo um envelhecimento mais saudável e ativo de ambas as partes.”

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia apresentou estudo  para prestar informações aos cuidadores informais de idosos, classificados como “ cinco “pontos delicados” que dificultam o cuidado de familiares idosos e o que fazer com eles”:

.Certifique-se de ter tempo a sós com cada um dos membros da família. O idoso nem sempre tem que vir em primeiro lugar; use cuidadores ou outros parentes para complementar o cuidado.

.Não adie férias, eventos escolares ou esportivos ou outras atividades familiares anteriores por tempo indeterminado.

.Se as intromissões passarem dos limites, conversa com o médico para se certificar de que os medicamentos (como ansiolíticos) não estão contribuindo para o problema. Se a agressão é o problema e não pode ser controlada com a modificação de comportamento ou medicação, esse pode ser o sinal de que talvez seja necessário um atendimento domiciliar. Todos na casa – incluindo você – devem estar seguros.

.Se você já fez tudo o que podia para criar um ambiente de sono saudável, discuta os problemas de sono com o médico responsável pelo idoso. Um ciclo de sono-vigília confuso não é parte normal do envelhecimento. É uma característica da demência (porque as mudanças no cérebro podem atrapalhar o ritmo circadiano), mas que muitas vezes pode ser remediada por uma boa rotina familiar ou com a abordagem dos medos da pessoa para reduzir a ansiedade. Em última instância, podem ser prescritos medicamentos para melhorar o sono.

.Deixe de lado a ideia de que pedir ajuda é um sinal de fraqueza. Se algum dia você precisou de outras pessoas em sua vida, esse dia é hoje.

.Encontre um grupo de apoio ao cuidador. Os grupos oferecem um nível de apoio emocional e uma mentalidade de solução de problemas em grupo que é diferente de uma terapia individual.

.Procure um terapeuta se você estiver experimentando sinais de depressão. Não é nenhum estigma para obter ajuda; cuidadores e profissionais de saúde (especialmente demência) estão, de fato, em maior risco de depressão.

.Faça pausas mensais ou, idealmente, semanais.

.Considere um grupo de apoio. Estes grupos ajudam a visualizar os problemas futuros, graças à colaboração de outros membros.

Conclusão

O envelhecimento é um dos maiores desafios do Brasil e boa parte dos países no mundo nos próximos 30 anos. Uma realidade que já vem exigindo uma série de iniciativas tanto do poder público quanto da iniciativa privada e fundamentalmente dos indivíduos  idosos e do ambiente social e econômico que os ronda envolvendo principalmente os familiares.

Hoje milhões de pessoas, principalmente as mulheres, exercem o papel de cuidadores informais em nosso país sem reconhecimento social e financeiro. O que existe é uma ausência de respostas, sobretudo ao nível laboral, fiscal e de proteção social. Porém, existem medidas que podem ser implantadas como bem demonstram as experiências e iniciativas no Uruguai e em Portugal. Esse sem dúvida será ou deverá ser o caminho a ser seguido.

O trânsito e os idosos

Quando a ciência e as políticas públicas

se somam para ajudar os idosos no trânsito

Os atropelamentos são responsáveis pela maior parte das mortes de idosos no trânsito (arquivo EBC)

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou no final de junho uma série semanal de vídeos de um minuto denominada “Ciência SP”. A iniciativa mostra o impacto social e econômico de pesquisas científicas e tecnológicas apoiadas pela instituição.

O primeiro episódio da série destaca como a Ciência ajuda a melhorar a segurança de idosos na travessia de ruas. Um estudo feito na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) constatou que 97,8% dos idosos da capital paulista não conseguem caminhar a 4,3 km/h, velocidade exigida pelo padrão apresentado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para os semáforos da cidade. Na média, a velocidade alcançada pelos voluntários com mais de 60 anos que participaram do estudo foi bem menor que o exigido: apenas 2,7 km/h.

O estudo que embasou a mudança do tempo semafórico na cidade de SP para salvar vidas dos idosos constatou ainda que “mulheres, negros de pele clara, indivíduos com baixa escolaridade e pessoas com problemas de saúde eram mais propensos a andar em um ritmo mais lento do que o exigido pelos semáforos nas travessias de pedestres na cidade.”

No estado de  SP, em 2017,  na comparação com 2016, as fatalidades no trânsito envolvendo idosos apresentam queda de 9,1%, passando de 801 para 728 casos (73 óbitos a menos). No entanto, os dados do Infosiga SP revelam situações específicas em que esse grupo está mais sujeito a acidentes. Os idosos correspondem a 14% da população do Estado e 17,2% das vítimas de acidentes.

Em 2017, 728 pessoas com mais de 60 anos perderam a vida no trânsito. Das 1.193 fatalidades com pedestres, 399 envolveram idosos, o que equivale a 33,4% dos casos no Estado. A maioria das ocorrências acontece em vias municipais (58,2%). Também chama a atenção a proporção de vítimas ciclistas. Uma em cada quatro fatalidades com bicicletas (24,8%) envolve idosos. No estado de  SP, um em cada três acidentes fatais com pedestres envolve pessoas com mais de 60 anos de idade 

Saiba em quais estados morrem mais pedestres idosos

De acordo com OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária, por se deslocarem com mais frequência a pé, os idosos estão mais expostos, e consequentemente, são as maiores vítimas fatais como pedestres, representando 36% do total de atropelamentos registrados no país.  

A mesma entidade pesquisou  que Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins são os estados brasileiros que apresentam maiores taxas de óbitos de idoso no trânsito com impressionantes índices de 40 a 76 mortes por 100 mil habitantes.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Pará, Rondônia, Amazonas e Acre vem em um bloco intermediário, mais extremamente alto, com índices de 20 a 40 mortes de idosos em acidentes de trânsito por 100 mil habitantes.

Já Amapá, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo foram os estados  com menores  índices de 16 a 20 mortes de idosos em acidentes de trânsito por 100 mil habitantes.

O Observatório também alerta que “os idosos também estão mais sujeitos a lesões de maior gravidade, que podem levar a grandes períodos de internação hospitalar e lesões permanentes e imobilizadoras”. Associados a outras doenças pré-existentes e por conta da vulnerabilidade devido à idade, os acidentes de trânsito acabam por representar um fator agravante aos efeitos colaterais em doenças estabelecidas anteriormente ao acidente, além de potencializar uma série de outras que não existiam, aumentando a assistência do estado e da família à vítima.

Ser velho não significa  ser vítima no trânsito

Apesar de ser a maior parte das vítimas de atropelamento no país, ser idoso não é condição determinante para sofrer um acidente. O problema do transito brasileiro é decorrente de uma cultura que visou por muitas décadas priorizar o veículo e a infraestrutura viária do que o pedestre.

 Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil aparece em quinto lugar entre os países em que ocorrem mais mortes, atrás somente  da Índia, China, EUA e Rússia. As lesões ocorridas no trânsito são a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos. Ou seja, é necessário implantar urgente novas politicas de prevenção no trânsito que salvem a vida dos pedestres, independentemente de idade.

Há muito que fazer para garantir segurança humana nas vias

De acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária “para promover e garantir a segurança nos deslocamentos dos idosos, algumas políticas públicas podem contribuir para garantir mais segurança aos idosos em seus deslocamentos:

  • Monitorar, avaliar e planejar políticas já existentes, como calçadas em melhores condições, tempo de semáforos adequados à mobilidade do idoso e, a partir disso, buscar enfrentar os problemas diagnosticados;
  • Melhorar o processo de habilitação para conduzir, tornando-o mais exigente em quesitos como travessia de pedestres e cuidados com a mobilidade coletiva;
  • Melhorar a oferta dos modos de transporte não motorizados, garantindo segurança nos deslocamentos dos modos ativos, pensando que esses modos também têm impactos positivos na saúde da pessoa idosa;
  • Melhorar a oferta de transporte público, para que o idoso tenha a opção de realizar suas viagens como passageiro, garantindo assim sua independência em relação à mobilidade.

Outros cuidados simples também para evitar atropelamentos

Olhe para os dois lados ao atravessar a faixa e verifique se há carros se aproximando

Sempre atravesse na faixa de pedestre e espere primeiro o veículo parar e olhe para o condutor

Nunca atravesse a faixa de pedestre com o sinal verde

Nunca atravesse a rua usando o celular

Sempre use a passarela de pedestres

As mídias e os estereótipos negativos contra os idosos

Brasil, um país que envelhece a passos largos

Todas as estimativas demográficas mensuram que o Brasil segue a passos largos para virar um país em que os idosos serão uma parcela mais numerosa  do que dos jovens. Os estudos e indicativos feitos pelo IBGE apontam que em 2060, o percentual da população com 65 anos ou mais de idade chegará a 25,5% (58,2 milhões de idosos), enquanto em 2018 essa proporção é de 9,2% (19,2 milhões). Já os jovens (0 a 14 anos) deverão representar 14,7% da população (33,6 milhões) em 2060, frente a 21,9% (44,5 milhões) em 2018.

A população brasileira manteve a tendência de envelhecimento dos últimos anos e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios, divulgada hoje pelo IBGE.

Em 2012, a população com 60 anos ou mais era de 25,4 milhões. Os 4,8 milhões de novos idosos em cinco anos correspondem a um crescimento de 18% desse grupo etário, que tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56% dos idosos), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44% do grupo).

A expectativa de vida atual é de 76,2 anos na média entre homens e mulheres e poderá chegar a 81 anos em 2060. O estudo indica que as mulheres continuarão vivendo mais do que os homens. O indicador feminino, atualmente em 79,8 anos, chegaria a 84,2 anos; já o sexo oposto passaria de 72,7, em 2018, para 77,9, em 2060.

Especialistas  observam que a  tendência de envelhecimento da população nos últimos anos decorre tanto do aumento da expectativa de vida pela melhoria nas condições de saúde quanto pela questão da taxa de fecundidade, pois o número médio de filhos por mulher vem caindo. Esse é um fenômeno mundial, não só no brasileiro.

O poder econômico e político dos idosos no Brasi aumenta a cada dia

Pelo menos 10,8 milhões de brasileiros dependem da renda de idosos aposentados para viver. Só no último ano, o número de residências em que mais de 75% da renda vem de aposentadorias cresceu 12%, de 5,1 milhões para 5,7 milhões.

O estudo feito pela LCA Consultores  considera domicílios onde mora ao menos uma pessoa que não é pensionista ou aposentada, e que abrigam um total de 16,9 milhões de pessoas, incluindo os próprios aposentados.

Porém, esses números de dependentes são muito maiores se levarmos em conta cadeias econômica que as aposentadorias criam principalmente nos pequenos e médios municípios brasileiros, cujo orçamento depende dos gastos dos milhões dos beneficiários da atual Previdência Pública.

Dados de 2017: em 4.101 dos 5.570 municípios brasileiros avaliados (73,60%), o volume de pagamento de benefícios previdenciários efetuados pelo INSS – Instituto Nacional do Seguro Social supera o FPM – Fundo de Participação dos Municípios.

Entre os anos de 1988 e 2017, a quantidade de benefícios pagos pela Previdência Social aumentou 336,23%, passando de 11,6 milhões para 34,5 milhões de beneficiários. Segundo o IBGE, para cada beneficiário da Previdência Social há, em média, 2,5 pessoas beneficiadas indiretamente. Assim, em 2017, a Previdência beneficiou direta e indiretamente 120,5 milhões de pessoas, ou seja, 57,57% da população brasileira.

Os idosos já representam 18,6% do eleitorado, ou 27,3 milhões de votos, enquanto que os jovens, de 16 a 24 anos, somam cinco milhões a menos: são 22,4 milhões ou 15,3% dos aptos a votar em outubro. Essa diferença é capaz de definir uma eleição. A mudança demográfica do eleitorado vem sendo percebida desde 2014, quando os dois grupos praticamente ficaram empatados no peso que têm nas urnas. Naquele ano, jovens representaram 16%, enquanto eleitores com 60 anos ou mais somaram 17%.

Preconceitos servem para diminuir  o papel do idoso na sociedade

Como visto,  os idosos no Brasil atualmente concentram tanto a capacidade econômica quanto a capacidade política e social   e caminham para ser o grupo mais importante do país nos próximos 40 anos. Apesar disso, o que ainda se nota é a prevalência de um retrato negativo,  e estereotipádo na sociedade, como na televisão e mídias sociais.

Estes últimos  se tornaram um espaço do ódio para atacar principalmente setores vulneráveis, como idosos, lgbts, negros, etc. Além disso, a falta de uma política públíca mais consistente e contínua, e a negligência das empresas privadas em recusar a empregar o trabalhador acima dos 60 anos,  também são resultados dessa visão negativa sobre a terceira idade em nosso país.

Os estereótipos negativos sobre os idosos, segundo a psicológa, Beca Levy, da Universidade de Harvard “podem ter uma probabilidade particular de persistência porque eles frequentemente se referem à debilitação física e cognitiva, que tende a ser percebida como um precursor da morte, com um senso de pressentimento baseado na cultura ( Becker, 1997 ; Levy & Banaji, 2004 , Nelson, 2005 ).

 É provável que essa percepção seja amplificada pelo reconhecimento de que os estereótipos negativos da idade poderiam descrever o futuro da pessoa: os jovens acabarão envelhecendo, se viverem por tempo suficiente – uma expectativa que pode ter aumentado ao longo dos anos com períodos de vida mais longos. Consequentemente, estereótipos de idade negativos podem preencher uma necessidade sentida por indivíduos mais jovens de se distanciarem de indivíduos mais velhos.”

6 estereótipos negativos sobre idosos na mídia tradicional e nas  redes sociais

1) Envelhecer  não é condição de demência, é um direito.É muito comum verificar nos noticiários e até mesmo nas falas de especialistas que a demência é uma condição natural da velhice. Isso não é verdade. Diversas teorias sobre o envelhecimento desenvolvidas ao longo dos últimos 40 anos procuraram observar que a velhice é um processo da condição humana, como o desenvolvimento da infância e da juventude também o são, e também social.

Os problemas decorrentes da idade podem ter suas raízes fundamentadas desde a falta de apoio no convívio social, perda do poder aquisitivo e falta de acesso às políticas públicas. Essas situações também são observadas em diferentes fases da vida de um ser humano em não apenas na parte  idosa. É obvio que a maturidade revela o desgaste do organismo físico, porém, é possível manter-se saudável e lúcido até o fim da vida.

Desde 2003, está em vigor O Estatuto do Idoso que regulamentou diretios para garantir  um envelhecimento mais digno, justo e humano, com o envolvimento dos poderes públicos, dos familiares e dos próprios idosos.  O documento é a base que  estabeleceu uma série de artigos  fundamentais a essa parcela da população que devem ser de conhecimento da sociedade e principalmente  dos profissionais envolvidos com o temos, inclusive os da comunicação. Entre os principais estão:

Artigo 9º – É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade.

Artigo 10 – É obrigação do Estado e da sociedade, assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis.

Artigo 14 – Se o idoso ou seus familiares não possuírem condições econômicas de prover o seu sustento, impõe-se ao Poder Público esse provimento, no âmbito da assistência social.

Artigo 20 – O idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade.

Artigo 26 – O idoso tem direito ao exercício de atividade profissional, respeitadas suas condições físicas, intelectuais e psíquica.

Artigo 29 – Os benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral da Previdência Social observarão, na sua concessão, critérios de cálculo que preservem o valor real dos salários sobre os quais incidiram contribuição, nos termos da legislação vigente.

Artigo 33 – A assistência social aos idosos será prestada, de forma articulada, conforme os princípios e diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, na Política Nacional do Idoso, no Sistema Único de Saúde e demais normas pertinentes.

Artigo 37 – O idoso tem direito à moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada.

Artigo 39 – Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semiurbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados paralelamente aos serviços regulares.

Artigo 15 – É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.

 2) Ser velho não é sinônimo de abandono e descarte.

 A questão do abandono na velhice é explorada pela mídia como resultante de um quadro social e de construção de imagem a partir de preconceito que alia o velho como coisa a ser descartada, trocada por um objeto novo como é tratado na propaganda tradicional.

Essa situação  dinâmica de uma sociedade de “ descarte”, significa mais do que jogar fora bens produzidos mas, segundo o David Harvey, descarta  valores, estilos de vida, relacionamentos estáveis, apego as coisas, edifícios, lugares, pessoas e modos adquiridos de agir e ser.

O  abandono humano no Brasil é recorrente e parece estrutural da própria sociedade. Essa situação atinge tanto a idosos como também crianças e adolescentes. A mídia tem um papel fundamental para informar e esclarecer a opinião pública no sentido de buscar um novo entendimento que vise uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária para todos.   

Basta procurar nos dicionários os sinônimos de velho e velha que encontraremos termos depreciativos  como acabado, corroído, desgastado, obsoleta, decrépita, naturalizando essa condição como algo desprezível e desqualificado.

 3) Velhice não significa o fim da vida  sexual, nem recomeço sem prevenção.

Com o crescimento da população idosa em todo mundo, a indústria farmacêutica também buscou novos medicamentos que não fossem apenas utilizados para combate às doenças e enfermidades.

Foram feitos produtos que proporcionaram uma sexualidade mais ativa, porém também houve um processo do aumento do número de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS em idosos.

O papel da mídia nesse sentido é fundamental tanto para ajuda nas campanhas de  prevenção, como também para a quebra de tabus que envolvem a sexualidade dos velhos, muitas vezes negada e desprezada pela sociedade que utiliza corpos jovens como referência de uma atividade sexual correta e aceitável.

4) O preconceito alimenta  a cadeia de violência contra o idoso.

A velhice tratada como sinônimo de demência, incapacidade,  perda de vitalidade e sexualidade, coisa ultrapassada, retorno a uma condição infantil, pode ser base para a violência contra os idosos, que tem aumentado consideravelmente em todo o país em conformidade com o aumento da população idosa para as próximas décadas. Essa construção social produz uma imagem de que  os idosos são objetos naturais dos diversos tipos de violência, que vão desde a questão física até o abandono, dilapidação do patrimônio, extorsão e ameaças.

A psicológa Becca Levy, da Universidade de Yale, aponta quatro frentes que poderiam ser trabalhadas pela sociedade, que também deve incluir a mídia, para atenuar o preconceito contra os idosos:

  • Saúde: avanço dos tratamentos preventivos e medicamentosos possibilita aumento da longevidade para parcela cada vez maior da sociedade, e isso seria um atenuante ao preconceito. Por isso, esse é um tema que deve ser difundido e acessado pela sociedade. Levy porém alerta que o lado negativo desse quadro foi o surgimento da indústria multimilionária da imortalidade que pretende vender a ilusão de que os avanços médicos e de produtos cosméticos poderão impedir a finitude da vida.
  • Convívio intergeracional: Pessoas de faixas etárias diferentes devem ser estimuladas a conviverem entre si. Cada uma tem conhecimentos e experiências diferentes para compartilhar e esse contato pode ser muito rico.
  • Legislação :O aumento da expectativa de vida demanda ajustes nas leis, para que idosos continuem garantindo seus direitos. Esses ajustes possivelmente vão ajudar com que a terceira idade mantenha-se ativa na sociedade, sendo mais integrada na mesma. o Estatuto do Idoso tipifica uma série de crimes. A lista é grande: vai da discriminação da pessoa idosa a deixar de prestar assistência, do abandono dos mais velhos em hospitais e instituições de longa permanência à exposição deles a perigo que ameace a integridade e a saúde.
  • Ambiente Social:Assim como já acontece com outros grupos minoritários, como negros mulheres, lgbts, entre outros, os idosos também necessitam organizar-se como grupo de pressão para fazer valer seus direitos, através da difusão de informações, e a busca de mais direitos e garantias

5) Velhice como difusor de ódio nas redes sociais ( o caso do vovô do slime).

 Nilson Izaias era um tranquilo senhor de 72 anos, aposentado, e que encontrou nas redes sociais, como ele mesmo disse, um espaço para atenuar sua solidão.

Começou filmando seu dia-a-dia em um canal do You tube coisas triviais como o café matinal e as frutas que davam na sua chácara. Um certo dia resolveu fazer o slime, uma espécie de gosma que adquire variadas formas e que virou febre entre as crianças.

Após  tentativas frustradas conseguiu o feito e virou um fenômeno nas redes sociais. Foram mais de 9 milhões de visualizações do tento vitorioso.

Porém, o que deveria ser motivo de  comemoração tanto para ele quanto para seus seguidores, virou em poucos dias uma campanha de ódio e perseguição contra seu Nilson. Foi acusado, sem qualquer prova,  de pedofilia quando ainda trabalhava em uma escola pública.

 Bastante abalado, foi ameaçado e jurou fechar seu canal no YouTube. O que o salvou foram justamente seus milhões de seguidores que o apoiaram e a própria atitude do aposentado que não se escondeu e enfrentou as Fake News com sua habitual sinceridade.

A história do slime feito por um aposentado representa o ônus e o bônus do uso das redes sociais. De um lado efetivamente trouxe alegria e satisfação como antídoto para  solidão e a falta de relacionamento, porém despertou o ódio gratuito em pessoas que não suportam que determinadas parcelas da sociedades, como idosos, negros, gays, mulheres,  possam desfrutar de situações prazerosas.

Seu Nilson continua com sua jornada no Youtube após o temporal de ódio do qual foi vítima. Começou com apenas 600 seguidores, hoje atinge mais de 4,7 milhões.

6)  Ser velho não significa  estar ultrapassado, nem desempregado.

Segundo estudos da The International Longevity Centre, da Grã Bretanha, pessoas que já passaram por várias fases da vida e gastam menos tempo com atividades que exigem dedicação, como criar filhos ou buscar formação, acabam sendo mais comprometidas com o trabalho, além de mais rápidas e seguras para tomar decisões.

Porém, em levantamento feito pelos analistas do Google, a maior plataforma de busca do mundo, foi revelada que  “embora as empresas reconheçam que a experiência traz vantagens, ainda são poucas as que apostam suas fichas nos benefícios da troca entre mais velhos e mais novos.

“Essa realidade não impede os sêniores de usarem a tecnologia para encontrar oportunidades de trabalho. O uso das buscas online por emprego para os mais velhos aumenta ano a ano.” Desde 2015, houve aumento de mais de 30% ao ano de busca por empregos para idosos na plataforma de busca. E entre os períodos 2016 e 2017, período do aprofundamento da crise econômica no país, “quase duplicaram”  a busca por trabalhos nessa parcela.

Segundo o Ipea, metade da força de trabalho no Brasil terá mais de 50 anos.Uma alternativa muito cogitada por esta parcela da população são os negócios próprios. Segundo o estudo do Serasa Experian de 2018, uma empresa brasileira tem 24% mais chance de ser saudável se tiver sócios com mais de 60 anos. Além disso, entre 2002 e 2014, o número de empreendedores no Brasil cresceu 56% entre pessoas desta faixa de idade.

“A tecnologia está ajudando as pessoas a se preparar para uma velhice com qualidade de vida. As questões e preocupações que surgem com a longevidade ficam claras ao percebermos seu aumento nas buscas.”

 Conclusão:

O Brasil está envelhecendo muito rapidamente. Porém, observamos que ainda faltam muitas iniciativas para que os idosos  tenham seus direitos respeitados e garantidos. Em poucas décadas essa população irá superar aos dos mais jovens e de crianças. Porém, sua importância econômica e política já alcança patamares substanciais, mas ainda não suficientemente para conquista das reivindicações necessárias.

Isso tem a ver principalmente com a carga de preconceitos e estereótipo que estão ainda subjacentes na população e que são fortalecidos por uma cobertura enviesada por parte da mídia tradicional e também pelas mídias sociais.

Portanto, é fundamental que o reconhecimento do papel dos idosos vem se transformando em nosso país e que é necessário acompanhar esse processo diante da nova realidade com seriedade, informações corretas e que passem longe das imagens negativas

Fontes:

Harvey, David, A condição Pós-Moderna

Clique para acessar o estatuto_idoso2edicao.pdf

https://academic.oup.com/gerontologist/article/57/suppl_2/S118/3913371

https://www.youtube.com/results?search_query=seu+nilson+slim

https://canaltech.com.br/redes-sociais/a-saga-do-vovo-do-slime-quem-e-o-senhor-que-tem-tanto-amor-e-odio-no-youtube-132359/

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2014/12/Redes-sociais-melhoram-o-bem-estar-e-combatem-isolamento-da-terceira-idade-4662116.html

https://www.minhavida.com.br/saude/temas/demencia

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2019-06/numero-de%20denuncias-de-violencia-contra-idosos-aumentou-13-em-2018

Abandono de criança é o maior em 4 anos

http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/53673-sexualidade-na-terceira-idade

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/03/25/interna_ciencia_saude,668253/numero-de-idosos-com-hiv-no-brasil-cresce-103-na-ultima-decada.shtml

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/06/15/aumentam-as-denuncias-de-violencia-contra-os-idosos.ghtml